|
|
|
Esquecer-se de Cascella. Talvez seja este o exercIcio mental correto para procurar novamente o valor da pintura de urn artista que se manchou, ao olhar infalivel dos crIticos de arte, de urna culpa grave:
ter sucesso. São eles, os historiadores da arte, que cada dia desprezam aquela sua pintura de paisagens que consideram provinciana aquela vida que conhecem somente pelos últimos quarenta anos, exatamente da mesma forma (corn as devidas proporcöes) como desacreditavam, quando jovem, Giorgio de Chirico, pois haviam-se esquecido da superposição épica das fases de sua pintura antes que chegasse os cinquenta anos.1 Corno historiador da arte, sempre senti o dever de reconstituir a verdadeira história de urn pintor. E Michele Cascella uma história prOpria, peculiar e absoluta teve-a: como muitos (todos') pintores italianos. Teve iluminações e relâmpagos de gênio. Como aconteceu corn outros artistas (penso em Sciltian)2, uma maldição insistiu sobre urn pintor que se tornou desconhecido por muito famoso. Desejaria dentro deste texto reconstituir o perlodo parisiense de Michele Cascella na viragern de 1930. Urn rnornento muito intenso, de quadros felizes (entre Utrillo e de Pisis) e mostra inesquecÍveis (nas mesma galerias dos Italiens de Paris), de aquisiçöes pelo estado frances e presença no Musée Jeu-de-Paume, que se inaugurou em janeiro de 1933.
'INDVIDUAL DE QUALIDADE'
Os primeiros quarenta anos
'Como todos os solitários e inclividuais de qualidade, fez da própria solidão e individualidade uma questão de honra e ponto de referência também para seu trabaiho de pintor'. Assim falou Paolo Volponi, meu amigo nas buscas de quadros barrôcos e amante da pintura de Giorgio de Chirico (possula una obra-prima böckliniana).3
Cascella é urn individua' devido as suas origens' E verdade, nasce em Ortona (1892), mas penso que poucos artistas esforçaram-se tanto deixando o próprio bairro nativo em busca da Europa. Milão e Londres, Paris e Nova York: poucas cidades são-lhe alheias. Estréia em 1907 em Milão na 'Famiglia Artistica', na rua San Raffaele, onde expöe junto ao irmão Tommaso: são flihos de arte, porque o pai Basiio é urn artista (entre o verismo e o liberty) de uma certa importância. A mostra chama a atenção de Vittorio Pica (ao qual nada passava despercebido), que dedica-lhe urn artigo no jornal "Il Secolo'. Na primeira página.
Tarnbém tern o apoio (ou finge tê lo) do divino Gabriele [d'Annunzio] e, como ele, procura a gloria em Paris, lá expondo em 1909, sempre junto ao irmão Tornrnaso. Urna crItica inesquecível no jornal 'L'Humanité'4, por ocasião da exposicão na Galerie Druet, rue Royale: Michele tern dezesseis anos. No ano seguinte expöe também no Salon d'Automne, ma sem chegar a Gare de Lyon.
Paris naqueles anos é a terra prometida. Ha tempo you repetindo isso ate o aborrecimento, pelo menos no que atina a viragem de 1930, e quis dernonstrar esta tese numa mostra recente (Les italiens de Paris).5 Mas já na prirneira década, nos bares de Montmartre e de Montparnasse, é possIvel ouvir a linguagern toscana (Modigliani, Severini, Paresce) se sobrepondo ao marchigiano (Licini) e ao lombardo (Dudreville, Bucci, Bernasconi).
Michele publica em Pescara, entre 1912 e a guerra, algumas litografias na revista de grande formato 'Elilustrazione Abruzzese' (mais ha hecho un punto de honor y de referencia incluso para el propio trabajo de pintor'. Así habló Paolo Volponi, mi amigo de correrlas en busca de cuadros barrocos y admirador de Giorgio de Chirico (poseía una obra maestra de Bocklin de propiedad del pintor italiano).3
Cascella es un solitario debido a sius orígenes' Es verdad, nace en Ortona (1892) pero pienso que pocos artistas como él se han esforzado en dejar la patria chica para lanzarse a Europa. Milan y Londres, París y Nueva York:
son pocas las ciudades que no conoce. En 1907 inicia su carrera en Milan en la 'Famiglia Artistica', en calle San Raffaele, donde expone junto a su hermano Tommaso: ilevan el arte en la sangre pues el padre Basffio es un artista (entre Verismo y Liberty) de cierta importancia. La muestra llamó la atención de Vittorio Pica (¿qué se le escapa al gran Pica') que le declica un artIculo en "Il Secolo'. En la primera página.
También está apoyado (o parece estarlo) por el divino Gabriele y, como d'Armunzio, busca la gloria en Paris donde expone en 1909, siempre junto a su hermano Tommaso. Una reseña memorable aparece en 'L'Humanité'4 con ocasión de la muestra realizada en la Galerie Druet, rue Royale: Michele tiene dieciséis años. El año siguiente expone también en el Salon d'Automne pero sin desembarcar en la Gare de Lyon.
En aquellos años París era una tierra prometida. Lo repito siempre, hasta el cansancio, y he querido demostrar esta tesis, al menos para el periodo en torno a 1930, en una muestra reciente (Les italiens de Paris).5 Ya en Ia primera década, en los bares de Montmartre y de Montparnasse, se puede sentir el lenguaje toscano (Mocligliani, Severirii, Paresce) que se superpone con el de Las Marcas (Licini) y el lombardo (Dudreville, Bucci, Bernasconi).
En Pescara, entre 1912 y el periodo de guerra, Michele publica algunas tarde 'La Grande Illustrazione'), ao lado de Gino Severini e Gaetano Previati, alérn de muitos letrados (Sibilla Aleramo, Camillo Sbarbaro, Grazia Deledda). Também trava conhecimento corn Marinetti, Boccioni e Margherita Sarfatti. Findando a guerra, muda-se para Milão. Vive por urn breve perlodo junto a Clernente Rebora; conhece os Dióscuros nascidos em Volos e Atenas. Guardará a amizade de de Chirico por quase meio século. Urn episódio pouco lembrado é o da exposicão em Roma (10 de abril de 1919), na mítica galeria de Anton Giulio Bragaglia, inaugurada pela estrondosa individual de Giacomo Balla (4 de outubro de 1918), onde também ocorrera em janeiro a inesquecIvel mostra metafisica (urn fiasco) de Giorgio de Chirico. Cascella expôe 56 trabaihos: muitos notam as flores pintadas no front.6 Escreve Cipriano Eflsio Oppo:
'Cascella serve-se do nanquim, acocora-se na posição budista, repuxa seu papel Fabriano sobre a tábua de madeira perfurnada, e com uma pena Perry começa o trabalho delicado de traçar os contornos dos fustes, das ervas, dos bersaglieri nüs'.
'Ha nestes quadros urna grande festa cromática': e Arturo Lancellotti quem anota esta espécie de projeto de futuro. Vittorio Emanuele Il visita a exposição no dia 3 de rnaio: parece que as suas conversas reservadas corn o pintor vertessem sobre o nome do povoado retratado e o nürnero de seus habitantes...
'UNE GRANDE FOl'
Exposições em Paris 1929-1932
Na viragem de 1930, podemos encontrar várias vezes Michele Cascella em Paris: residente ou de passagem. 0 crítico do jornal 'Paris Midi', G.J. Gros (29 de janeiro de 1931), anota a 'grande fé' deste abruzense que ainda nao chegara aos quarenta, que juntou-se àquele
|
|
|
|
|
|
microcosmo variegado de felizardos sem raízes. De Chirico e Savinio, Tozzi e de Pisis, Severini, Campigli e Paresce, mas tambérn os futuristas, que as vezes presenciavarn as inauguraçöes das mostras de Cascella (Prampolini, Fillia).
Nos anos 20, Paris é para os artistas a meta de uma peregrinação, além de ser urn lugar de encontros. 'Corno Atenas nos tempos de Pericles', afirrna Giorgio de Chirico. 72.000 artistas e 1.200 as associaçöes que os representam:
levantamento feito por Enrico Prampolini no final de 1931. Testemunho de Antonio Baldini:
'Os próprios parisienses vivem numa admiração pasmada das tantas partes da cidade que nunca chegarao a conhecer. São mu quilometros de ruas; urn enredo que, por assirn dizer, urna vez desenrolado levaria de Paris a Roma'.7
1930, 1°- 15 de marco,
Galerie Georges Petit.
Cascella expöe 28 quadros na galeria que viu muitas exposicões de artistas italianos e que acolherá, a partir do dia 16 de junho, urna importante retrospectiva de Picasso.8
A introduçao ao catálogo é assinada por urn medalhão da crItica, Vincenzo Costantini:
'Ne en 1892 dans les Abruzzes, fils e frère de peintres, Michel Cascella est un des artistes le plus ardents de la nouvelle école italienne qui s'intitule 'strapaese', c'est-à-dire ultra régionaliste. A travers la forme, il cherche a nous rnontrer tout ce que la terre italiènne contient d'intirne et de spirituel. L'élégie, le mysticisrne, l'humour, le pathétique, la poésie sont les sentiments qu'il exprime dans ses paysages imprégnés de tendresse native, dans ses figures animées d'une verve joyeuse. Déjà très apprécié en Italie, a Londres, a New-York, Michel Cascella vient exposer a Paris quelques-unes de ses oeuvres récents et nous ne doutons Abruzos, de menos de cuarenta anos, que se ha unido a ese variegado microcosmo de desarraigados felicIsimos. De Chirico y Savinio, Tozzi y De Pisis, Severini, Campigli y Paresce, y también los futuristas, a menudo presentes en la inauguracién de las muestras de Cascella (Prampolini, Fillia).
En los años veinte, ParIs representa para los artistas una meta de peregririación y un lugar de reunion, 'Como Atenas en los tiempos de Pericles', afirma Giorgio de Chirico; 72.000 artistas y 1200 a.sociaciones que los representan: este es un dato estadistico de Enrico Prampolini a fines de 1931. Declara Antonio Baldini: 'Los mismos parisinos viven en la temerosa admiración de cuántas son las partes de la ciudad que jamás llegarán a conocer. Son mil kilómetros de desarrollo vial; ¿equivale a decir que la maraña de calles parisinas, una vez desenredada, lievarla de Paris a Roma'.7
1930,1 - 15 de marzo, Galerie Georges Petit. Cascella expone 28 cuadros en esa galerla que vio muchas muestras italianas y que acoge el 16 de junio de 1932 una importante retrospectiva de Picasso.8
La introducción en el catálogo de Cascella está firmada por un importante crItico de arte, Vincenzo
Costantini:
'Ne en 1892 dans les Abruzzes, fils et frére de peintres, Michele Cascella est un des artistes les plus ardents de la nouvelle école italienne qui s'intitule 'strapaese', c'est-á-dire ultra regionaliste. A traves la forme, el cherche a nous montrer tout ce que la terre italiénne contient d'intime et de spirituel. Délégie, le mysticisme, l'humour, le pathétique, la poésie sont les sentiments qu'il esprime dans ses paysages imprégnés de tendresse native, dans ses figures animées d'une verve joyeuse. Déjá trés apprécié en Italie, a Londres, a New-York, Michel Cascella vient exposer a Paris pas qu'il trouve parmi nous l'accueil sympathique que mérite son intéressant effort'.
Diferem as críticas dos jornais italianos e franceses. Assinalo aqui a correspondência de Camillo (o sobrenome nao está indicado) em "IL Piccolo della sera' de Trieste (13 de marco), além da local no 'Corriere della Sera' (2 de marco): 'Não ha nenhuma esquisitice de 'vanguarda', nenhum 'enigma futuristico', nenhuma 'Babel cubIstica'; ha uma arte bela, fresca, pura, dominada por urn Impeto selvagem de inspiração, e servida por uma técnica magistral. Urn público numeroso e de eleitos, desde o prirneiro dia visitou a magnIfica exposição na renomeada Galerie Georges Petit, e não deixou de louvar da forma mais sincera, mais entusiástica, o jovem e valiosIssimo pintor abruzense. Urn raro caso de sucesso de critica e de püblico. Arsène Alexandre assim escreve no 'Figaro': 'Michele Cascella distancia-se das orgias banais da cor de muitos pintores da Itália. Ele coloca urna grande profundeza nos aspectos cornovedores, impregnados por urn torn de melancolia'.
'Urna arte dorninada por urn fresco e quase que selvagem Impeto de inspiração e servida por uma técnica finIssima, que porém não èvoltada para si mesma. Eis a novidade que o público alegrou-se em descobrir na arte de Cascella. Desde o primeiro dia a exposição foi visitada por urn público nurneroso e de eleitos, em que estavam fartarnente representadas tanto a aristocracia dos nornes corno da arte. Notarnos: o conde Manzoni, o ernbaixador do Brasil Souza Dantas, D. Maria D'Annunzio princesa de Montenevoso, a princesa de Mesagne, a condessa Trotti, o comendador Ballerini, Camillo Antona Traversi, Lionello Fiumi e entre os artistas, além dos crIticos de arte André Doderet e George Oudard, os pintores Maliavin, Prampolini e Fillia.') Lionello Fiurni escreve urn artigo para o 'L'Arnbrosiano', que érecusado corn outro sobre a mostra de Tozzi tarnbérn em Paris, aludindo de passagern, nurna carta aberta, a urn provável ciüme do editor da crItica Carlo Carrà.9 Urna longa correspondência e publicada porém no 'l'Adriatico' de Pescara: 'Em Paris onde ha urn cantinho para todos, e o tradicionalista mais ortodoxo pode encontrar seu público, bern corno o revolucionário mais descambaihado, Paris entregou urna foiha de laurel também para Michele Cascella. Os jornais comentaram. Os amadores detiveram-se corn prazer diante daquelas aquarelas e guaches onde, corn poucos tons fundamentais e corn rápida ternura empoeirada de hurnorisrno, o artista faz reviver paisagens desta nossa Itália.' Urna reportagem detaihada sobre a mostra pode ser encontrada no 'Corriere della Sera' ('Corriere parigino' 20 de marco). Fala-se do retorno de Cascella de Londres e dos quadros pintados nas brurnas ânglicas, lembrando a dificuldade do pintor em explicar para uma senhora o valor do terrno 'strapaese', que se encontra na introdução de Costantini. Tarnbérn Maurizio Zazzetta, correspondente parisiense do 'Giornale dell'Abruzzo e Molise" (Roma 8 de maio), relata:
'Uma pesquisa rninuciosa e iriteligente do tema a ser retratado, uma vontade severa e positiva de comprimir a exuberância do pincel dentro dos limites do veridico, o desejo honesto de nao mudar a posição real das coisas, de não inventar nada que seja rnais belo do que se vê [...]. Cascella tudo viu e tudo levou para a tela corn fidelidade indiscutIvel. As silhuetas notórias dos principais monumentos urbanos, mesmo servindo de pano de fundo obrigatório para algumas telas, destacarn-se irnaculadas e solenes, adquirindo no conjunto urn ar àvontade totalmente novo [...].
o sucesso foi portanto conseguido tanto na Exposição que acaba de fechar, como na que deverá trazer urna vez mais aos bastidores artísticos o jovern pintor abruzense no próximo mês de novembro.') 0 sucesso parisiense incrernenta o valor da obra de Michele Cascella na Itália. No dia 27 de abril expõe em Turim (Galleria Codebò), a 5 de rnaio comparece na inauguraçao da Bienal de Veneza, onde tern urn incidente curioso corn o autorizado Ugo Ojetti.'0 Expõe sete obras ern três salas diferentes: Ugo Ojetti declara ao 'Corrierone', vingança justa, que se trata de composições 'áridas e vazias'.
1931, 19(?) dejaneiro - 10 defevereiro, Galerie 23
Na rue de la Boétie, onde no inverno 1929-1930 expuserarn 'Les Peintres Futuristes italiens' capitaneados por Gino Severini, Cascella apresenta urn grupo de pinturas devidamente assinaladas pela crItica. Escreve o grande André Salmon:1' 'Nous avions déjà vu de ses oevres. Il est, cornrne le dit excellernment notre bon doyen M. Arsène Alexandre, 'véridique et poétique'. Une de ses toiles s'intitule 'Souvenir de Paris'. Efle n'est pas la moms 'véridiqne' et c'est assez indiquer du temperament de cet artiste d'avenir'. Arsène Alexandre, o influente àrbitro das artes parisienses, rembrado por Salmon, escreven no 'Figaro': 'Deja, a la Galerie Georges Petit l'an dernier, dans une petite salle écartée pourtant, les esprits perspicaces et enthousiastes avaient déniché et admire cet art sobre a la fois et passioné, sobre de couleur, profond d'irnpression, et, pour dire les moth qui le résument, poétique dans sa verité, vrai dans sa poésie. Aujourd'hui il présente a la Galerie 23 tout en ensemble plus important de paysages qui perrnettent de voir que ces éloges et ce pronostic n'ont pas d'exagéré. Le sentiment de recueillement melange a inquietude qui le caractérise et qui pourtant se nuance d'affectueuse sympathie et s'exprime en un dessin souple et spontand, ii donne aux motifs le plus divers cet accent de pénétrante sympathie. Ce peintre est en même temps un poète des apparences et de valeurs. Ce sont en effet, les précieux dons l'emploi des valeurs qui du point de vue technique donnent a ses paysages leur eloquence matérielle immediate. Leur eloquence sentimentale ne tarde pas a s'imposer d'une manière plus insinuante e plus durable, car c'est le sentiment qui a le premier inspire l'amour du motif choisi, la meditation contemplative de ces rues humbles et fières. En même temps de cette terre italienne qui ne pourra jamais connaItre l'infortune de se moderniser completement il évoque a chaque instant l'esprit antique le plus vénérable. Cela ne l'empêche pas de rendre, par les mêmes moyenes les aspects le plus fourmillant des villes modernes comme Milan et même certains souvenirs ou notations de Paris.' Assinala-se também a nota de Paul Fierens, outro árbitro autorizado na Paris artIstica, que fala desta exposição juntamente a de Filippo de Pisis 'Au Quatre Chemins'.12 E tambem o artigo de G.J. Gros ('Paris-Midi' 29 de janeiro): 'Une Italie grave, un peu triste. Couleur terne et dessins par contre assez nerveux'. 'Certains paysages de Paris et de Londres prennent même a travers leurs grisailles cette atmosphere limpide des grands ciels italiens. On n'est bien le poète que du pays oü l'on vient au monde. Michele Cascella peint le miracle avec humilté et les paysages avec une ferveur pénétrante. Une grande sérénité est a la base de son talent si placidement ordonné, de son observation si volontairement simple'.
|
|
|
|
|
|
Urn resultado nao secundário da exposição é a aquisição pelo governo frances de uma tela a ser destinada ao Musée Jeu-de-Paume: 'L'Etat vien de faire preuve d'un gout fort délicat', anota urn cronista.'8
1932, 27 dejunho -25 dejulho,
Galerie Bemnheim Jeune.
Neste espaço frequentado também por outros Italiens de Paris, Cascella expõe vistas de Paris e de Roma. Uma interessante critica é a de Pierre Berthelot, que reproduz o quadro Roma via Aurelia, adquirido durante a mostra pelo Estado.'4
'L'atmosphère méridionale, pur trop d'artistes, n'est qu'un terrible conflit de teints assez crues luttant sous l'implacable lumière d'un soleil déchaîné, et beaucoup croiraient forfaire s'ils ne peignaient une Provence ou une Italie truculente et bigarree. Peintre italien peignant en Italie, Cascella donna, l'an dernier, la même leçon et y revient cette année. Aucune teinte ne sonne en fanfare pour détruire l'harmonie, très précieuse, de ces paysages aux ciels alourdis d'eau, ou sol épuisé ou trop riche. Il pèse sour le tout une espèce de lassitude extrêrnement prenante'.
Urna nova pequena consagração éa aquisicão de urn quadro pelo Estado frances, para o Musée du Luxembourg.'5
1933 final dejaneiro, Musée du Jeu-de-Paume Inaugura-se nos Jardins des Tuileries o Musée des Ecoles Etrangères. Uma seção respeitável é reservada a arte italiana. A mostra '22 artistes Italiens Modernes', que estreou na Galerie Georges Bernheim na primavera passada, foi por assirn dizer o pretexto: o industrial De Angeli Frua, a pedido de Vittorio E. Barbaroux e corn o consentirnento do diretor do museu André Dezarrois, adquire 12 telas durante a exposiçao. Assinalarn-se os Gladiatori de de Chirico, a natureza-rnorta clássica de Severini, uma natureza-morta nervosa de de Pisis, a Prirnavera de Tozzi (mais,tarde substitulda por Solitude). E urn momento importante para a penetração dos italianos em Paris, corno se lê nos artigos de Mario Tozzi ("Il Secolo XIX', Gênova janeiro; 'Popolo di Brescia' 2 de fevereiro).16 E justamente Tozzi quem nota que a obra de Michela Cascella em exposição é do Estado frances.
Urn codicilo 1937, urn epIlogo 1949 Michele Cascella tambérn participa da Exposition Universelle de 1937 (aquela de Guernica e do chafariz corn rnercürio de Caider): consegue a medaiha de ouro corn urn quadro que representa Capri.
Cascella expõe novamente em Paris, na Galerie Allard, no mês de maio de 1949. Naquela mesrna galeria, três anos antes, haviam sido apresentados uns vinte quadros de Giorgio de Chirico pintados por Oscar Dominguez, contra os quais o metafísico protestou vibranternente (será o início da epopéia dos falsos de Chirico, que se tornará lendária). Os jornais de Paris e da Itália remarcarn o sucesso alérn dos Alpes de urn pintor que se aproxima dos sessenta anos.
'PINTOR DE UM PARAf SO PERDIDO'
Urna Par-is entre Utrillo e de Pisis Entre 1929 e 1932, Michele Cascella deve ter pintado muito rnais daquela düzia de quadros registrados por Giuseppe Bonini no Catálogo geral. 17 Corn certeza, muitas são as vistas parisienses que faltarn a chamada:
imagino-as despontar uma por uma no decorrer deste meio século na confusão do Hotel Drout, para provavelmente regressar em seguida (por serem tão agradáveis) ern outras casa.s particulares francesas.
A primeira imagem (assinada Paris 1929) retrata uma alameda. Ern 1930 temos urn primeiríssimo piano da Tour Eiffei, urn Souvenir de Paris
|
|
|
|
|
|
NOTE
1 A reconstruçho histhrica deste texto baseia se principalmente no rneu arquivo, alérn do arquivo de Michela Cascella, organizado por Giuseppe Bonini (tambérn autor de urn rneritOrio Catálogo gerat), que foi posto na rninha disponibilidade por Pier Paolo Cirnatti. Dedico este trabalho a Aifredo Paglione, amigo abruzense, que rne fez conhecer urn Cascella diferente.
2 Sobre Sciltian, veja-se o volurne-catélogo da rnostra de Milão, Rotonda della Besana 1980. Lembro que urn crítico urn pouco maligno (E Vincitorio) escreveu no 'L'Espresso': 'Sciltian expOe ern Milão apresentado por Maurizio Fagiolo: Tarnquarn potuit pecunia'...
3 Sobre o texto de Paolo Volponi veja-se: P Levi - P Volponi, Michele Gascella otto ottant'anni di pittura, Giorgio Mondadori & Associati, Milano, 1981.
4 A. Cipriani, Les Cascella, 'L'Umanité' Paris
6 de abril de 1909.
5 Les Italiens de Paris De Chirico e gli attn a Porigi net 1930, curadoria por M. Fagiolo dell'Arco, C. Gian Ferrari, Brescia Palazzo Martinengo, 18 de juiho -22 de novernbro de 1998, Skira, Genebra-Milao, 1988.
6 Veja-se M. Verdone, F. Pagnotta, M. Bidetti, La Casa d'Arte Bragaglia, 1918-1930, Buizoni, Rorna 1992. Entre os rnuitos artigos de critica sobre a exposição de Cascella, veja-se: C.E. Oppo in "l'Idea" Nazionale', 17 de abril de 1919. 0. Vergani in 'Messaggero della Domenica', 20 de abril de 1919. Anônirno, Il Re visita Ia mostra Cascella, in 'L'Idea Nazionale', 3 de maio de 1919. A. Lancellotti in 'Corriere d'Italia', 4 de maio de 1919. A. G. Bragaglia in 'Cronache d'Attualità 5 de rnaio de 1919.
7 Sobre todos os textos que aqui se citaram, veja-se a minha introduçao ao catálogo Lea Italiens de Paris (v. nota 5).
8 Sobre a grande retrospectiva de Picasso, da qual falou tambdm Savinio, veja-se Lea It aliens de Paris, p. 82.
9 A carta aberta de Lionello Fiumi eats no 'Giornale d'Abruzzo e Mouse', Roma 20 de abril.
10 0 relato do acontecimento Ojetti está no jornal "Il solco fascista', Reggio Emilia 6 de maio. Veja-se tambérn a biografia de P Levi no Catdlogo Geral sob a curadoria de G. Bonini.
11 0 texto de A. Salmon está em sua coluna 'Les Arts' in 'Gringoire' 30 de janeiro.
12 'Lea Journal des débats' 26 de fevereiro.
13 A noticia encontra-se num jornal parisiense nã identificado, relatada também na Itália (A.B. injornal nbo identificado 9 de fevereiro).
14 P Berthelot, in 'Beaux-Arts' 25 dejulho.
150 quadro adquirido é Rorna via Aureiia. A noticia encontra-se in 'L 'Ambrosiano' Milao 9 de julho; 'Tevere' Roma 9 de juiho; 'Tribuna' Rorna 14 de julho.
16 Outros artigos da critica: Lo Duca ('La rassegna dell'istruzione artistica', Urbino) e A. Dezarrois ('Paris-Midi' 17 de fevereiro).
17 No Cataiogo geral pp. 176-182 encontram se publicados urn quadro datado 1929, quatro de 1930, quatro de 1931, cinco de 1932.
18 'L'Italia Letteraria' Rorna 26 de abril de
1931.
19 'Corriere della Sera' Milao 20 de março de
1930.
20 Michele Cascella in 'The Mid-2Oth Gallery. Los Angeles 9 de setembro - 1° de outubro de 1948'. A galeria acrescenta ao texto de de Chirico urn esclarecimento apropriado: não está de acordo corn seus ataques ao rnodernismo em geral e a Cezanne em particular.
|
|
|